Reportagem Especial TFF Alimentos na Feira Expo Brasil.
Cuiabá - Negócios que oferecem produtos orgânicos para a sociedade estão na Mostra de Iniciativas Sustentáveis da VII Expo Brasil, realizada em Cuiabá (MT). Carne bovina, café, mandioca e misturas para bolo e pães apresentados ao público já são considerados um diferencial para quem busca um outro padrão de produção e de consumo.
A empresa TFF Alimentos, de São Paulo, que tem seis anos de mercado, apostou nas misturas orgânicas para bolos e pães há dois anos. A marca oferece pão de queijo, pão mediterrâneo, integral e pão baiano, além de bolo de banana, chocolate e milho.
A gerente de vendas da marca, Irene de Oliveira, conta que no início a empresa teve dificuldade em encontrar fornecedores de matéria-prima na escala que a indústria necessitava. “Aos poucos, fomos conseguindo vencer esse obstáculo. Hoje compramos mel, farinha de trigo, banana-passa, farinha de milho, pimenta e cacau, por exemplo, de cooperativas de pequenos produtores”, explica.
Irene destaca que além de vender saúde e sustentabilidade, os produtos orgânicos também garantem mais sabor na alimentação das pessoas. “Só o consumidor pode fazer esse mercado crescer. Na Expo Brasil, temos a oportunidade de falar e mostrar o produto para pessoas que nem sabiam o que era orgânico. Boa parte do público é jovem e temos certeza que esses serão os maiores consumidores desse tipo de produto”, afirma.
O público também pode conhecer a mandioca orgânica Aricá, a primeira a ser certificada no estado do Mato Grosso. Quatro famílias de pequenos produtores são responsáveis pela produção de duas variedades, a amarela e a branca. O produto já está em todos os mercados do estado.
A diretora da Associação de Pequenos Produtores Rurais de Buriti Grande, Diana Paula Durigon, filha de um dos agricultores, conta que eles também aprenderam a agregar valor ao produto pela técnica de alimentos minimamente processados. Assim, a mandioca orgânica é vendida sem casca e em embalagem a vácuo. O pacote de um quilo sai a R$ 3 no supermercado e a mandioca com casca é vendida a R$ 1,50 o quilo.
A associação comercializa apenas a mandioca orgânica, mas já começou a produzir leite, carne e melado. Eles também começaram a plantação de rama para a multiplicação de mandioca que pode ser consumida frita sem pré-cozimento.
Debate:
O tema Agricultura Orgânica foi debatido também em painel durante o segundo dia de evento. Coordenado pelo gerente da Unidade de Agronegócios do Sebrae Nacional, Juarez de Paula, o painel apresentou conceito de produção agroecológica e exemplos de sucesso no País.
Domingos Jarí, da Cooperativa de Agricultores Ecológicos do Portal da Amazônia (Cooperagrepa), explicou que a produção da cooperativa, que integra o Projeto do Território Portal da Amazônia, implantado em Mato Grosso, já agrega cerca de 1,2 mil pessoas.
Além de produtos para abastecer os grandes centros urbanos, a cooperativa produz alimentos orgânicos para as próprias comunidades rurais. São cerca de 40 tipos de produtos, como mel, café, guaraná, hortaliças, castanha do Brasil. A preocupação do grupo é conquistar desenvolvimento econômico e qualidade de vida através de uma produção com conservação ambiental.
Segundo Domingos, a qualidade deve ser sempre perseguida pelos produtores. “Um bom produto começa na roça, na lavoura. E não adianta só discurso. É preciso trabalhar para conquistar isso”, destaca. Ao seguir essa premissa, os agricultores da Cooperagrepa já conquistaram o mercado internacional e aumento de renda.
Além disso, trabalham com outros produtos como o artesanato sustentável produzido com o ouriço da castanha do Brasil, a produção de papel feito com bagaço da cana-de-açúcar e uma embalagem ecológica fabricada com plástico feito a partir da mandioca.
A empresária da marca de chá orgânico Namastê, de Sergipe, Débora Lima, destaca que a agricultura orgânica vai além da produção sem agrotóxicos. “Traz toda uma ideologia de proibição do trabalho infantil e forçado, com preocupação de garantir saúde e segurança adequadas. Além disso, é também um outro padrão de consumo”, afirma.
É também a produção orgânica que está melhorando a vida daqueles que vivem no campo. Débora destaca que há fornecedores de ervas para a Namastê que conseguem R$ 1,2 mil por mês. “Trabalhamos com fornecedores em Sergipe, Paraná e Paraíba, e nessa parceria praticamos o preço justo”, diz.
O consultor da Agrossuisse, do Rio de Janeiro, Fábio Ramos, aponta que cabe ao consumidor fazer com que o mercado de orgânico cresça. “Os consumidores podem ser os principais agentes de transformação. É o hábito do consumidor que influencia a cadeia produtiva e modifica os sistemas de produção. Cabe a eles a exigência de mais segurança alimentar”, ressalta.
Por: Giovana Perfeito, enviada especial da AS |